cover
Tocando Agora:

Doação de leite humano cresce mais de 10% no RJ, mas ainda não atende todos os bebês que precisam, diz Fiocruz

Doação de leite humano cresce 11% no RJ Bruno Guimarães (IFF/Fiocruz) O volume de leite humano coletado no estado do Rio de Janeiro cresceu pouco mais de 10%...

Doação de leite humano cresce mais de 10% no RJ, mas ainda não atende todos os bebês que precisam, diz Fiocruz
Doação de leite humano cresce mais de 10% no RJ, mas ainda não atende todos os bebês que precisam, diz Fiocruz (Foto: Reprodução)

Doação de leite humano cresce 11% no RJ Bruno Guimarães (IFF/Fiocruz) O volume de leite humano coletado no estado do Rio de Janeiro cresceu pouco mais de 10% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Fiocruz. Em agosto é celebrado o Agosto Dourado, o mês que incentiva a amamentação. Entre janeiro e junho deste ano, foram arrecadados 470 litros a mais de leite materno do que no mesmo período de 2025, mesmo com uma pequena queda no número de doadoras. Segundo Danielle Aparecida da Silva, coordenadora do Banco de Leite Humano (BLH) do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), o volume coletado não está diretamente relacionado à quantidade de mulheres que fazem doações. “Cada pessoa em fase de lactação tem a sua produção de leite individual, e evidências científicas comprovam que a produção do leite depende de questões psicológicas, fisiológicas e de estímulos externos, como a frequência que a mulher oferece o seio”, explica. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Apesar do crescimento, o volume coletado no primeiro semestre ainda não é suficiente para atender à necessidade de todos os bebês que precisam de leite humano no estado. Segundo Danielle, considerando os hospitais que possuem Bancos de Leite Humano, seria necessário aumentar a coleta em pelo menos 20%. Atualmente, o estado tem 18 Bancos de Leite Humano. A Fiocruz também chama atenção para regiões que não possuem essas unidades, mas contam com algumas UTIs neonatais, como a Baía de Ilha Grande, a Região Norte e a Região dos Lagos. Para a especialista, além de ampliar as doações, seria necessário investir na criação de novos bancos de leite nessas regiões. 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop. 'Representou a sobrevivência dos meus filhos' Damires com os gêmeos Divulgação A designer Damires Teixeira Pontes, de 37 anos, moradora de Pilares, na Zona Norte do Rio, conhece o outro lado da doação. Mãe de gêmeos, ela precisou recorrer a um Banco de Leite Humano quando os filhos nasceram prematuros, com 34 semanas. Os bebês ainda não sabiam sugar e precisaram receber leite doado durante a internação. “Meus bebês precisaram receber leite do banco por conta da prematuridade. Eles nasceram com 34 semanas, ainda não sabiam sugar e precisaram receber o leite do banco.” O nascimento aconteceu depois de uma cesárea de emergência. Damires conta que, naquele momento, ainda não havia produzido leite suficiente para alimentar os filhos. “Eu tive uma cesárea de emergência, descobri que eles teriam que ficar na UTI e que eu não poderia amamentá-los porque o meu leite ainda não tinha descido.” Para ela, receber o leite do banco foi um alívio em meio ao momento difícil. “Foi difícil saber que eles não iam ser amamentados com o meu leite, mas ao mesmo tempo foi um alívio saber que o banco pôde proporcionar esse leite que eu não consegui naquele momento.” Durante a internação, o leite doado ganhou um significado para a família dela. “Olha, o leite doado com certeza representou a sobrevivência dos meus filhA energia necessária, o básico necessário para a sobrevivência deles. Então, assim, foi essencial na vida dos meus filhos.” Assista a uma reportagem sobre a importância da doação de leite materno: Coordenadora da Rede de Bancos de Leite Humano explica importância da doação do leite materno Depois da experiência, ela passou a enxergar a doação de outra forma e decidiu que, quando puder, também quer contribuir. “Assim que eu puder, eu também quero doar, eu quero contribuir com esse trabalho que é tão incrível, que atende tantas pessoas, que atinge tantas pessoas.” 'Não posso continuar jogando fora', diz doadora A engenheira civil Débora Cristina, de 35 anos, moradora da Tijuca, na Zona Norte, começou a doar depois de perceber que tinha uma quantidade de leite que não conseguia utilizar. No início, ela armazenava o leite excedente para o próprio filho, Dante. Como passava muito tempo com o bebê, porém, acabava descartando parte do que produzia. “Eu decidi começar a doar porque, no início, eu até comecei a armazenar o leite para poder usar com o meu bebê, mas acabava que eu descartava, que eu estava o tempo todo com ele e então comecei a jogar muito leite fora com a dor no coração.” Quando soube que poderia destinar o excedente a outros bebês, decidiu começar a doação. “Sabendo dessa doação, eu falei assim: ‘Ah, eu preciso ajudar, assim, não posso continuar jogando fora quando tem tantos bebês necessitando’.” Débora com o bebê Dante Divulgação A primeira doação, segundo ela, trouxe uma sensação de felicidade por dar um novo destino ao leite que antes era descartado. “A primeira vez que eu separei leite para doar, eu fiquei muito feliz porque já havia descartado tanto leite e agora esse leite é sentido para alguém, ajudar alguém.” Para Débora, a possibilidade de doar também mudou a maneira como ela enxerga a própria amamentação. “Fico muito feliz de poder doar. Acho tão importante, tanto que eu conto todos os dias para o Dante.” Ela afirma que costuma agradecer pela possibilidade de amamentar o próprio filho e também contribuir com outras crianças. Doação não deve prejudicar alimentação do próprio bebê Um dos receios comuns entre mulheres que amamentam é que a retirada de leite para doação possa fazer falta para o próprio filho. Segundo Rozania Bicego Xavier, gestora do ambulatório de Pré-Natal e do Comitê de Aleitamento Humano do IFF/Fiocruz, a doação é feita quando a mulher está saudável, produz leite além das necessidades do próprio bebê e já garantiu que ele esteja plenamente atendido. “A prioridade é sempre o bebê da doadora.” Processamento de leite humano TV TEM/Reprodução A produção de leite funciona principalmente pelo mecanismo de oferta e demanda. Quando a mama é esvaziada adequadamente, o organismo recebe estímulos para continuar produzindo leite. Por isso, segundo Rozania, a retirada do excedente para doação não prejudica a alimentação do filho.